πΆπππππ πΓ£π ππππππππ. πΆπππππ ππππππππππ.
Nunca gostei de grades. Quando ainda pequena colocaram janelas com grades em casa eu me senti muito mal. Um bicho de zoolΓ³gico, um pΓ‘ssaro na gaiola, uma criminosa. Pensei que se um bandido entrasse pela porta nΓ£o daria nem para fugir pela janela. As grades nΓ£o impediria alguΓ©m de entrar, me impediria de sair! Um bandido com as armas certas poderia nos render, apesar das grades.
Esse sentimento de estar atrΓ‘s das grades sem a posse das chaves me acompanhou por muito tempo. AtΓ© que me acomodei ao ambiente, e era como se as grades fizessem parte de mim. Quem tentasse arrancΓ‘-las poderia me ferir. Por muito tempo vivendo assim, qualquer tentativa de me tirar dali me assustava. Era o que eu mais queria, mas eu nΓ£o podia alcanΓ§ar.
AtΓ© que eu ouvi uma expressΓ£o terrΓvel: βπππΓͺ πππππππ ππ ππππππππβ… Era como se um bandido estivesse dizendo: βdeixa eu entrar, se rendaβ. E eu jΓ‘ sabia que nΓ£o dava para sair pela janela. Mas a porta ainda estava fechada. βπ°πππβ. Ao contrΓ‘rio do que imaginei, meu primeiro impulso nΓ£o foi fugir. De repente, valia a pena a dor de arrancar as grades.
Dizem que passarinho de gaiola desaprende a voar. SerΓ‘? Eu quero abrir a porta, ou arrancar as grades das janelas. Existe algo pior que estar preso aqui dentro? HΓ‘ algoz pior que nossos medos? Do que eu tenho medo? Tenho medo de pensar nos prΓ³prios medos…
Ok. Eu me rendo, mas como se faz?